1990

Bem aqui, mas bem longe no tempo (1989, 1990) – era meu cantinho preferido após as 16:30hs, numa época sem muitas perspectivas além do dia em que eu estava. Chegava no que à época era uma pequena mercearia, pedia ao Edson uma coca KS (a verdadeira, de vidro) e uma Folha de Londrina… da minha mesa, eu via surgir aos poucos o bando de meninas que se reunia alí, nas últimas horas da tarde, donas do olhar mais terno com que eu poderia retribuir à curiosidade delas.
Elas eram – aos meus olhos – a tal vida fazendo-se entender, um espetáculo barulhento e enérgico, vibrante, colorido; enquanto elas ensaiavam ou firmavam-se na adolescência, eu ia chegando a um acordo de paz com a minha, quase um armistício entre o garoto perdido dos anos anteriores e o rapaz recém-nascido alí. A tal ternura venceu-me.

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