Dias sem remédio

Tem dias que não têm remédio, nada e ninguém os cura. A gente acorda pedindo pra que eles passem em branco, mas justo nestes dias, tudo acontece – de preferência, aquelas coisas que você não pode resolver. Pede pra acabar logo o dia, pra dormir bastante e quem sabe acordar legal no outro, mas novamente, estes dias tendem a durar uma eternidade e o sono, a ser pouco. Pede um coração mais fútil e vazio, mas não adianta muito – continua se preocupando com todos do mesmo jeito, e está todo mundo lá dentro ainda, também do mesmo jeito. Pede sossego, todos os lugares sossegados que você conhece estão ocupados e a empresa está lotada de gente, parece até algo combinado. A escada, o banheiro, o hall de entrada, a copa, a despensa… Pensa em deixar tudo, levar uma falta e cair na estrada sem muito destino, mas quanto mais você se aproxima disso, mais telefones tocam e problemas insolúveis brotam do nada – coisas que nos dias COM remédio jamais aconteceriam. Pede algum vento, uma chuva rápida que seja, pra se distrair e quem sabe se animar um pouco, mas o calor bate os 42 graus, seco, e a fumaça de alguma queimada próxima rí da sua cara. Por fim, procura uma latinha de coca-cola (que vc nem bebia mais) e… acabou, a máquina está vazia. Sem remédio.

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