Eu preciso…

Entre Campo Grande/MS e Três Lagoas/MS

Preciso disso. Sério. Não preciso de um carro caro, não preciso de hotéis de luxo, não preciso de motivos, não preciso de muita coisa além da estrada, do horizonte amplo, do verde, da luz. Aprendi a gostar disso, vivendo dividido entre dois estados distantes – Paraná e Mato Grosso.

Treinei a infância inteira como passageiro nas décadas de 70 e 80; depois, no ônibus, vezes e vezes, por um dia inteiro e 1200 quilômetros. Por fim, em 1994, coloquei meu carro (então um VW Brasilia com 16 anos de uso) na estrada, lembrando apenas dos nomes dos lugares e tendo uma noção do caminho. Batismo.

Fui mais longe. Ganhei jeito com a estrada, aprendi a respeitá-la, levei sustos, vi coisas lindas e que não caberiam em uma fotografia. Descobri postos, hotéis, restaurantes, cidadezinhas. Tipos humanos que só existem alí. Experimentei caminhos diferentes, trajetos diferentes; fui além do Paraná, e encontrei Santa Catarina, litoral. Mar então. Serras de tirar o fôlego e apertar o coração. Florianópolis. De outra vez, o interior de Santa Catarina, e por fim o Rio Grande do Sul, Gramado, Canela, Freeway, Floripa novamente.

Se puder, vou mais longe; sete, oito, nove mil quilômetros. Gosto do ritual que antecede a viagem, gosto de deixar espaço para o improviso (“e se a gente dormisse nesta cidade e não na outra??”). Gosto de parar para fotografar, para apreciar um trecho bonito. Para agradecer a chance de estar alí, naquele momento, vivendo-o.

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