Schopenhauer Bar

Tive um sonho estranho, ontem à noite: eu tinha um bar. Não um boteco pé-sujo, mas um boteco de respeito: um deck com vista para a cidade, umas vinte e poucas mesas de madeira espalhadas por este deck, um pequeno palco onde uma dupla passava o som (“Desenho de Giz”, voz e violão, tocavam e olhavam para o caixa, onde eu estava – meio tentando agradar, meio sacaneando, eu acho). Garçons chegando em velhas Cegês barulhentas, estacionando no fundo do bar,  a briga pelo WC para vestir o uniforme – minha caixa, uma univesitária loira enorme e espirituosa, demora meia hora lá dentro e leva ao desespero a turma da bandeja, que bate à porta, apressa inutilmente a moça. Que sai, deixando um rastro de perfume forte, e respondendo às gracinhas dos garçons (e ganhando a parada, na maioria da vezes). É uma figuraça, a loira.

Logo, a cozinha vai estar atendendo – vejo o trio pelo guichê, preparando o básico para uma noite de sábado. Peço uma meia-porção de calabresa e filé, que divido com a caixa junto à uma cerveja – é quase um ritual, antes de começarem a chegar os clientes. Daqui a umas duas horas, se a noite for boa, ninguém terá tempo para nada, e o bar se transformará num organismo vivo, frenético, um vai-e-vem de pedidos e bandejas realmente assustador.  Confiro os últimos detalhes antes de abrir o portãozinho que dá acesso ao deck do bar: geladeiras organizadas, banheiros estão limpos (que vergonha, quando fui cobrado por uma cliente), os garçons apoiados no balcão esperando – dou um sinal e eles se distribuem pelo bar. Desço a escada e abro o portãozinho, a rua vazia ainda. No letreiro, Schopenhauer, vítima de um trocadilho engraçadinho (‘hora do chopp’??) rí para mim, numa caricatura de traço fino, bebendo seu chopp.

One Response to “Schopenhauer Bar”

  1. Sarah says:

    Quando abrir o bar, me chama p/ inauguração!! 😉
    =)

Leave a Reply

*