Enleio

Que é que vou dizer a você?
Não estudei ainda o código
De amor.
Inventar, não posso.
Falar, não sei.
Balbuciar, não ouso.
Fico de olhos baixos
Espiando, no chão, a formiga.
Você sentada na cadeira de palhinha.
Se ao menos você ficasse aí nessa posição
Perfeitamente imóvel, como está,
Uns quinze anos ( só isso )
Então eu diria:
Eu te amo
Por enquanto sou apenas o menino
Diante da mulher que não percebe nada.
Será que você não entende, será que você é burra?

Carlos Drummond de Andrade, inspirado. Eu, idem.

2 Responses to “Enleio”

  1. riquati says:

    A cadeira não era de palhinha, e a formiga andava pela mesa, rodeando nosso almoço. Mas eu entendi este Drummond, assim, de um lance só. Pena que eu entendi sozinho, em algum restaurante barato à sombra das mangueiras, no caminho de Chapada.

  2. eliana says:

    Fui um dia, a que estava sentada na cadeira de palhinha.
    Não fui burra.Percebi tudo,o que me fez sentir o quanto dói a impossibilidade…

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