o que anda no vento

O vento naquela cidade
Deixava na pele um outro gosto,
Doce e doentiamente presente em tudo
(Não havia nesta época tanta poeira no ar;
Sobrara da poeira vermelha aquela que escondia o asfalto
& quebrava-se entre gomos desconexos das calçadas, ou nos jardins das casinhas de madeira, nas raízes nuas das árvores)
De algum jeito, recobria desta doçura estranha
até o olhar e o pensar da gente
incitava as pequenas gentilezas
os sorrisos entre desconhecidos
uns grãozinhos de tempo em que o vivente abençoava a condição.

 

 

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