Archive for March, 2010

Rápida, mas não rasteira.

Wednesday, March 31st, 2010

Que coisa estranha ter novamente uma mochila, e carregá-la na aula, cheia de livros e caderno, canetas, fotocópias. Me sinto três guris de treze anos.

Na mesma hora e local

Friday, March 19th, 2010

Eram quase dez horas da manhã e, da janela do quarto do hotel, eu via uma Cuiabá atípica. O calor abrandara, o horizonte ganhando um fundo de algodão por toda a parte.

Fechei a cortina até deixar apenas uma réstia tímida de sol, suficiente para seguir teu sono. Voltei para baixo do edredon e para perto do teu conforto, tua presença. Me aninhei à tua volta, num abraço preguiçoso, carinho sem maior intenção. Brincava nos teus cabelos, seguia teu rosto. E na tua voz arrastada, de criança contrariada: “que horas são?”.

– Cedo… dorme mais um pouco, dorme…

Escrito em um hotel em Cuiabá, em um dia nublado, às dez horas da manhã, mas durante uma apresentação técnica (que jamais leiam isso). Impressionante o tanto que conseguimos, a partir de uma situação, imaginar outra realidade mais bacaninha…

Teoria da Conspiração – Crie a sua!

Friday, March 12th, 2010

A revista Wired dá sua colaboração à uma paranóia mui querida nos EUA, a das teorias conspiratórias. O assunto é tão sério que já rendeu até estudos sociológicos e de mídia que analisam o fenômeno (deve ser um barato fazer uma análise séria, com todo o método e rigor, de algo tão non-sense), livros tentando explicar o mecanismo da criação/divulgação/afirmação destas teorias – basicamente, um misto de sensacionalismo e desconfiança do público nos fatos divulgados, seja pela imprensa ou pelo governo, que se espalha informalmente e atinge a percepção de realidade dos norte-americanos. Resultado (ou trauma?) dos anos de Guerra Fria, explica a fascinação deles com a tal “área 51”, Roswell, Kennedy, o Onze de Setembro, Marilyn, Lady Di, o programa espacial americano, e qualquer coisa que dê errado e envolva mídia, governo e cultura pop. A teoria conspiratória é a “meia-mãe” dos (maledettos) “hoaxes” da internet, pra quem quiser saber…

Numa brincadeira pra lá de divertida, a Wired criou um ‘gerador de teorias da conspiração’ – você vai lá, preenche os campos (sorry, só em inglês…) e cria sua própria teoria da conspiração, com os fatos e argumentos mais saborosos que encontrar! Logo abaixo do tal ‘gerador’, há uma coleção de ‘teorias’ criadas pelos leitores. Vale demais a visita, aqui: http://www.wired.com/magazine/tag/conspiracy-theory/. Faça a sua também!! 🙂

The Chills / The Great Escape

Friday, March 12th, 2010

Taí uma esquisitice que eu gosto… Chills, fazem um som diferente (já era diferente do ‘bolo’ nos idos de 80, e agora soam ainda mais fora do comum), uma linha de baixo consistente e uma guitarra sempre acertada com os vocais (e principalmente, com as ótimas letras) de Martin Phillipps. Conheci os neo-zeolandeses por uma versão feita pelo House of Love, uma das minhas bandas favoritas, do hit Pink Frost. Pink Frost não é exatamente uma música ‘digerível’ – ao menos o tema – mas tem uma linha de baixo realmente empolgante, e uma melodia que ‘gruda’ no ouvido por dias.

A música acima, embora menos conhecida, considero mais representativa dos Chills… letras inclusive. Fala da sensação de que deve haver um mundo enorme, desconhecido, a ser explorado lá fora; a idéia de que, ‘fora daqui’, pessoas e vida serão melhores. Fala de uma vontade de fuga, total, que vivi (e vivo, esporadicamente), e conheço bem. Uma ilusão necessária.

“I sit here and wonder
I wonder what’s out there
I wonder what’s out there?
I hope they can hear me

I’m making plans for the great escape
The great escape from here
I’m taking off for a better place
and better people who care
And no-one can hear me
No one can hear me

There’s light and there’s dark
and sometimes I just can’t tell them apart
I’d rather drink a wishing well
if this is the way things are

And no-one can hear me
No-one can hear me
No-one can see me
and no-one comes near me
No-one”

Jóia rara

Tuesday, March 2nd, 2010

“I was young and carefree
Not a song had found my soul
Lost in Blues, Jazz and Ragtime
No Sound had got to my mood
I was searching for my melody
Love blues that gets me wooed

All along, sad clown with his circus closed down
Lost on my merry-go-around
Came a melody in my heart so yearning
Taught me to hear music out of love
From the soul, for this life
We all live infinite
With a lover and beloved

As one Ellington sound of love”

Charles Mingus, ‘Duke Ellington’s Sound of Love’  – momento iluminado…  🙂